terça-feira, 30 de Julho de 2013

O aniversariante do dia é Peter Bogdanovich











"Directing is really creating an atmosphere, a particular kind of atmosphere and usually one that is very peculiar to the director. It doesn't necessarily have to be. Some directors have no personality and it shows. But one way or another, what the actors are doing or the crews are doing, they're trying to please the director", Peter Bogdanovich.
Nasceu em Nova Iorque, EUA, em 30 de Julho de 1939. Realizador de filmes como The Last Picture Show (1971), Paper Moon (1973), Daisy Miller (1974), Mask (1985), Texasville (1990) e, mais recentemente, The Cat's Meow (2001), a carreira de Bogdanovich foi particularmente marcante durante a década de 70. Depois, devido a fracassos de bilheteira e críticas negativas a somar a um escândalo da sua vida pessoal, a relação com a playmate Dorothy Stratten, assassinada pouco tempo depois pelo ex-marido. Depois de ter praticamente abandonado a realização, Bogdanovich virou-se para a representação, sendo um dos papéis mais memoráveis o de Eliot Kupferberg, o psicanalista de Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) na produção de culto da HBO The Sopranos (2000-2007).

Miguel Ângelo Ribeiro

quarta-feira, 24 de Julho de 2013

The Raven - Legacy of a Master Tief (PC)


The Raven - Legacy of a Master Thief, cujo primeiro capítulo foi lançado ontem, 23 de Julho, é um jogo de aventura em três partes que pretende recuperar a tradição dos clássicos do género, enquanto homenageia as grandes histórias de mistério, com particular ênfase sobre os romances de Agatha Christie. Antes de entrar numa descrição mais detalhada, posso adiantar que, na minha opinião, o jogo conseguiu concretizar todos os seus objectivos:  Tem personagens interessantes, reminiscentes de figuras criadas pela famosa escritora britânica - sendo uma delas uma versão da própria Agatha Christie -, os puzzles são suficientemente complexos, mas sempre coerentes, algo que se tem perdido ao longo dos anos desde os clássicos da Sierra e LucasArts, os gráficos estão perfeitos para o género e a interpretação vocal bastante satisfatória. O enredo, sendo uma hommage, não é realmente original, embora tenha a particularidade inesperada de se desenrolar nos anos 60.


Quanto à história, o jogo da King Art Games - autores de The Book of Unwritten Tales - começa em 1964, quando um de dois lendários rubis, Eyes of the Sphynx, é roubado do Museu Britânico. Uma pena deixada no local do crime indicia tratar-se do regresso de um "gentleman thief", denominado The Raven que, em 1960, roubou várias peças valiosíssimas em vários locais da Europa até ter sido alvejado e, presumivelmente, morto pelo inspector Nicolas Legrand. Agora, após este novo assalto, Legrand desconfia que poderá ter morto o homem errado e é encarregue de montar uma armadilha para o novo (ou velho) Raven. A opção de se passar nos anos 60 foi explicada por um dos criadores com a necessidade de incluir alguma (mas não muita) tecnologia na investigação policial. A época não destrói a homenagem às obras de Christie sobretudo porque os personagens são adaptados. A título de exemplo, a sósia da escritora já é bastante idosa e está reformada da carreira literária.



Depois de uma cutscene que dá o mote, a acção propriamente dita tem início a bordo do Expresso do Oriente, onde descobrimos que o nosso personagem não é, como seria de esperar, o ilustre Legrand, mas sim Anton Jakob Zellner, um polícia suíço, idoso, obeso e com problemas cardíacos (fisicamente parecido com Poirot, mas as semelhanças ficam-se por aí) que foi encarregue de auxiliar o inspector da Interpol. Rapidamente descobrimos que Legrand não tem muito interesse em contar com o apoio de Zellner pois com ele viaja o polícia britânico Robert Oliver, que se encontrava no Museu Britânico aquando do assalto. Perante a insistência de Zellner, um homem com grande sentido de dever e que ainda acalente o desejo de resolver um caso importante antes da reforma, Nicolas Legrand assume que transporta o segundo rubi no comboio numa tentativa de atrair o ladrão e capturá-lo. Para se livrar do insistente Zellner, o inspector dá-lhe autorização para interrogar os passageiros em busca de informações que possam ser úteis.



Enquanto procura impressionar Legrand, Jakob Zellner estabelece contacto com os passageiros, entre eles a aristocrata que financiou a exposição Eyes of the Sphynx, o estranho mordomo da baronesa, um jovem violinista que vive mais de esquemas ilegais do que da música, a célebre escritora de policiais inspirada em Agathe Christie, e da qual Zellner é um devoto fã, a tímida secretária da escritora, um enigmático médico alemão e um académico inglês ao serviço do Museu Britânico. Durante um trecho atribulado do Expresso do Oriente, todos estes personagens vão revelar alguns segredos, por vezes de forma voluntária, outras nem tanto, e ajudar ou dificultar o trabalho de Zellner. O primeiro capítulo não fica por aqui, mas para evitar spoilers vou apenas adiantar que, após um incidente a bordo do Expresso do Oriente, fica comprovada a existência de um copycat - teoria de Zellner, devido ao modus operandi violento do actual Raven, que contrasta com a postura cavalheiresca do ladrão que quatro anos antes deixou a polícia do Velho Continente em polvorosa -, ou o regresso do Raven original, teoria que Legrand defende. Depois do Expresso do Oriente, a aventura prossegue num cruzeiro para o Cairo. Segundo foi previamente anunciado, num dos futuros capítulos poderemos jogar o próprio Raven e descobrir o outro lado deste mistério.



The Raven - Legacy of a Master Thief não representa, seguramente, uma revolução nos jogos de aventura como foi The Walking Dead, ds Telltale Games, e como (espera-se) será a próxima entrada na franchise de Sherlock Holmes da The Adventure Company. Neste caso trata-se mais de um regresso a um passado em que os mistérios eram realmente mistérios e os puzzles serviam o seu propósito, ao invés de serem apenas tarefas absurdas com o propósito de complicar a vida do jogador e prolongar, da pior forma possível, o tempo de jogo. De notar que quem escreve este texto é, usualmente, contra a nostalgia nos videojogos, particularmente no género RPG. Em relação a este, pode especular-se que a geração dos que são hoje jovens adultos confundiu a sua saudade dos jogos que lhe marcaram a infância com um verdadeiro regresso às origens do role playing game para computador e ficou refém de um fascínio pela reprodução, normalmente "artesanal", via Kickstarter, de artefactos que nunca foram verdadeiros role playing games, mas sim jogos de estratégia com diálogos. Esqueceram-se, então, do pormenor crucial de que os jogos foram criados dessa forma porque era o que a tecnologia da altura permitia, mas não entremos por aí... No campo da aventura a "evolução" tem sido diferente, possivelmente para agradar a um público apreciador de jogos online, sem narrativa, nem critérios de qualidade, que não encara essas características como defeitos, pois deseja apenas matar o tempo a desvendar puzzles.


Em The Raven a acção é célere, os diálogos são interessantes, a história não é completamente linear, apesar de ser enquadrada em espaços fechados, há algumas (não muitas) escolhas com repercussões no desenrolar da narrativa e, quem aprecia um bom murder mystery, não poderá ficar indiferente a esta homenagem muito bem executada. Acima de tudo, a combinação de objectos, coisa que normalmente me irrita profundamente em aventuras point-and-click, existe, neste jogo, com um propósito definido e coeso. Sendo assim, eu recomendo.

Miguel Ângelo Ribeiro

quarta-feira, 17 de Julho de 2013

Everybody Knows: The Love Boat (1977-1987)




Depois de ter arruinado a reputação da Red Room com o post anterior sobre Baywatch (vá, mais ou menos, para isso era necessário que este mísero tugúrio tivesse uma reputação), e como é Verão, vou aproveitar para arejar um pouco mais a rubrica Everybody Knows e dedicá-la, desta vez, a uma das sitcoms mais camp de sempre, The Love Boat. Do tema musical ao genérico, passando pelo guarda-roupa e pelos penteados, tudo nesta série é datado (e escorre azeite), remetendo-nos para a década de 70.



 Passado a bordo do cruzeiro de luxo Pacific Princess, The Love Boat incluía, em cada episódio, três ou quatro histórias, a maioria delas com desenlaces românticos, outras de cariz mais ligeiro e humorístico, as quais retratam as tentativas dos tripulantes para ajudar os passageiros a transformar as suas vidas amorosas e, por vezes, muito mais do que isso. Baseado numa outra comédia televisiva, dos anos 50, também desenrolada a bordo de um navio, The Gale Storm Show (1956-1960), The Love Boat fez a sua estreia na estação de TV norte-americana ABC em 1977.
Gavin McLeod protagonizava, na pele do capitão Merril Stubing. Este, a filha do personagem de McLeod, Vicki, interpretada por Jill Whelan - que passou de criança a jovem adulta durante os dez anos de duração da série - o médico Adam Bricker (Bernie Kopell), que seduzia muitas das beldades a bordo com o seu charme de médico judeu, o comissário de bordo Gopher Smith (Fred Grandy) e o bartender playboy Isaac Washington (Ted Lange), fizeram história da televisão no elenco de The Love Boat.





Ao longo de dez temporadas, que se estenderam até 1987, a série contou com a participação de muitas celebridades, algumas com carreiras ligadas ao pequeno ecrã, outras vindas do cinema. Para além da popularidade de que gozava na altura, proporcionava aos actores viagens a locais exóticos a bordo do cruzeiro. Kathy Bates, John Ritter, Jacklyn Smith, Milton Berle, Leslie Nielsen, Adrienne Barbeau, Dick Van Patten, Sonny Bono, Billy Crystal, Vincent Price, Jamie Lee Curtis, Corey Feldman, Raymond Burr, Lorne Greene e Don Ameche foram apenas algumas das dezenas de vedetas que passaram pelo convés do Pacific Princess. Este foi, obviamente, um dos motivos do sucesso e da grande duração da série.




Embora não fosse novidade na época apresentar nomes famosos como "guest stars" em todos os episódios para manter o interesse dos telespectadores, esta produção - para a qual Billy Crystal chegou a escrever alguns episódios - foi a primeira a tornar o convite de celebridades em imagem de marca.



Grandes parte dos episódios foram gravados a bordo da embarcação comercial (real) Pacific Princess, durante as viagens realizadas entre as Ilhas Virgens e o Alasca. Outros navios, Island Princess e Pearl of Scandinavia, foram usados, ocasionalmente, como cenário para a produção.
Uma vez que os trabalhos decorriam em viagens "normais", muitos dos figurantes eram passageiros chamados a participar.





No final dos anos 90 (1998), mais de dez anos depois de The Love Boat ter atracado pela última vez, a UPN Network tentou, sem sucesso, reproduzir a receita, com Love Boat: The Next Wave. Este spin-off, com um formato muito similar ao do original, contou com um outro elenco. Robert Urich, Joan Severance, Phill Morris e Corey Parker eram alguns dos protagonistas. A história girava em torno de Jim Kennedy (Robert Urich), um oficial reformado da marinha militar, divorciado e com um filho adolescente, que toma o comando do célebre Pacific Princess. O spin-off durou apenas duas temporadas o que, vistas bem as coisas, actualmente já seria uma sorte...
Só para terminar com uma curiosidade, o cruzeiro Pacific Princess, construído em 1971, ainda existe, mas desde 2002 chama-se apenas Pacific e é propriedade de uma empresa brasileira. A Princess Cruises, anterior proprietário do navio, mantém um cruzeiro com o mesmo nome, mas de construção muito mais recente.

Miguel Ângelo Ribeiro

Everybody Knows: Baywatch (1989-2001)










Em homenagem ao 61º aniversário do actor, realizador e cantor (bom, cantor só na Alemanha) David Hasselhoff e porque a silly season continua e porque a rubrica Everybody Knows da Red Room aparentava já estar morta, aqui fica uma edição especial dedicada à popular série de televisão Baywatch que, em tempos, a TVI transmitiu. E repetiu. E voltou a repetir. E continuou a repetir até à exaustão. O que há a dizer sobre Baywatch, um ícone da má televisão dos anos 90? Muita coisa, sobretudo piadas muito batidas sobre mamas e traseiros. Como está demasiado calor para a brejeirice - e o prazo de validade das piadas sobre o "Babewatch" já expirou algures em 1993 -  aqui fica antes esta bela e colorida galeria que, além de provocar dores de cabeça se olhada durante mais de cinco segundos faz-nos pensar "o que raio passou pela cabeça das pessoas nos anos 90?". Estou desconfiado que não passou nada. E foi esse o maior problema... Já agora, o gajo da primeira foto é o "Newmie", não o Hasselhoff, obviamente. O "Newmie" era o único que sabia nadar em todo o elenco, ainda que a maioria das actrizes flutuasse sem dificuldades.

Miguel Ângelo Ribeiro

A quem possa interessar (e não é o meu caso), mas...

...este cavalheiro faz 61 anos hoje (a escolha das imagens não foi acidental, tem o objectivo de provocar náuseas).








O aniversariante do dia é Donald Sutherland














"I was up for a great part but they told me: "Sorry, you're the best actor but this part calls for a guy-next-door type. You don't look as if you've ever lived next door to anyone", Donald Sutherland. Nascido a 17 de Julho de 1935 em Saint John, New Brunswick, no Canadá, Donald Sutherland iniciou a sua carreira de actor com pequenos papéis em filmes de terror e episódios de séries de TV. O papel de Vernon Pinkley, em Dirty Dozen (1967), mudou, definitivamente, o rumo de Sutherland que, três anos depois, era já o protagonista de uma das mais icónicas comédias do cinema norte-americano, MASH (1970), de Robert Altman. Seguiram-se Kelly's Heroes (1970), Alex in Wonderland (1970), Klute (1971), The Day of the Locust (1975), Invasion of the Body Snatchers (1978) e uma longa lista de outros filmes que se prolonga até à actualidade. Entre os mais recentes contam-se The Hunger Games (2012), adaptação do romance homónimo de Suzanne Collins e La Migliore Offerta, dirigido por Giuseppe Tornatore e protagonizado por Geoffrey Rush. Donald Sutherland (desnecessário será mencionar que é pai de Kiefer) faz hoje 78 anos.

Miguel Ângelo Ribeiro

In Memoriam - James Cagney
















"Once a song and dance man, always a song and dance man. Those few words tell as much about me professionally as there is to tell", James Cagney. Nasceu a 17 de Julho de 1899 em Nova Iorque, EUA, e morreu em 1986, uma das maiores figuras do período de ouro de Hollywood. Embora reconhecido, sobretudo, pelos papéis de gangster, parte da sua carreira é composta por comédias. Morreu aos 86 anos e despediu-se do grande ecrã cinco anos antes no protagonismo de Ragtime (1981), de Milos Forman.